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Segunda Feira, 27 de Julho de 2026

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Açúcar encontrado no espaço pode mudar tudo o que sabemos sobre a origem da vida

27 de Julho de 2026 as 10h 28min

A recente descoberta de uma molécula de açúcar no meio interestelar pode representar um avanço importante na compreensão da evolução química da Via Láctea e da origem da vida na Terra. O achado, publicado na revista científica Nature Astronomy, identificou a presença da eritrulose, um açúcar de quatro átomos de carbono, no espaço profundo.

Segundo o Observatório Nacional (ON), a descoberta é resultado de pesquisas na área de Astrobiologia, ciência que investiga como a vida surgiu, evoluiu e se distribui pelo Universo. O tema estará em debate durante a VI Escola de Astrobiologia do Observatório Nacional (AstrobiON), que será realizada entre 14 e 17 de setembro. As inscrições para o evento permanecem abertas até 4 de setembro.

Para o pesquisador do Observatório Nacional e coordenador da VI AstrobiON, Marcelo Borges Fernandes, a descoberta reforça a importância da astroquímica para compreender o surgimento da vida. “A descoberta de ingredientes químicos complexos no espaço profundo está intimamente ligada ao propósito da Astrobiologia e ao conteúdo que preparamos para esta edição do AstrobiON”, destaca o pesquisador.

Segundo ele, o objetivo da escola é aproximar estudantes e pesquisadores das pesquisas mais recentes sobre o tema. “Queremos mostrar como a astroquímica e a evolução da Via Láctea se conectam diretamente com o surgimento da vida no cosmos. Convidamos estudantes e pesquisadores a se inscreverem para a escola, que acontece de 14 a 17 de setembro, onde debateremos juntos essas novas fronteiras”, acrescentou.

A molécula identificada pelos cientistas foi a eritrulose, um açúcar formado por quatro átomos de carbono. Na Terra, essa substância é conhecida por estar presente em frutas, como a framboesa. No espaço, porém, sua importância é muito maior.

Segundo o Observatório Nacional, pesquisadores que estudam a origem da vida procuram compreender como a química do Universo pode levar à formação da ribose, açúcar composto por cinco átomos de carbono que integra a estrutura do RNA e do DNA.

A identificação da eritrulose demonstra que a química existente no espaço é capaz de construir cadeias de carbono cada vez mais longas e complexas de forma totalmente abiótica, ou seja, sem participação de organismos vivos. De acordo com o ON, esse processo representa um passo importante no caminho químico que pode levar ao surgimento da vida.

Embora o meio interestelar seja extremamente frio e rarefeito, enormes nuvens moleculares localizadas na região central da Via Láctea funcionam tanto como berçários de estrelas quanto como grandes laboratórios naturais onde ocorrem reações químicas.

Para identificar a eritrulose, a equipe liderada pela astroquímica Izaskun Jiménez-Serra, do Centro de Astrobiologia da Espanha, utilizou dois radiotelescópios apontados para o centro da galáxia. A técnica empregada baseou-se na espectroscopia por transições moleculares rotacionais.

As moléculas giram e vibram constantemente e, durante esse processo, emitem ou absorvem radiação em frequências específicas. Essas frequências funcionam como uma espécie de “impressão digital” única para cada substância química.

Os pesquisadores detectaram essa radiação proveniente da nebulosa e compararam o sinal com medições obtidas anteriormente em laboratórios terrestres, onde a eritrulose já havia sido estudada.

Segundo o Observatório Nacional, o resultado mostrou correspondência perfeita entre a assinatura eletromagnética registrada no espaço e a da molécula conhecida.

Fonte: DA REPORTAGEM

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