Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.

Segunda Feira, 16 de Fevereiro de 2026

Noticias

Agricultura brasileira e norte-americana compartilham eficiência e desafios no preparo de solo

16 de Fevereiro de 2026 as 10h 27min

A agricultura brasileira e a norte-americana estão entre as mais estratégicas do mundo. Mais do que o volume produzido, ambas se destacam pela capacidade de gerar divisas, alimentar populações e incorporar tecnologia ao campo. Apesar de inseridas em contextos climáticos e culturais distintos, compartilham pilares semelhantes: escala produtiva, profissionalização, inovação constante e busca por eficiência.

Nesse cenário, o preparo do solo assume papel decisivo. Trata-se de uma etapa que impacta diretamente a produtividade, a conservação dos recursos naturais e o desempenho econômico das lavouras. Em ambos os países, produtores enfrentam o desafio de manejar solos com diferentes níveis de fertilidade, equilibrar custos e adotar práticas sustentáveis.

Com mais de 20 anos de atuação no Brasil e nos Estados Unidos, pude acompanhar de perto as particularidades de cada sistema produtivo. A principal lição é clara: tecnologia só gera resultado quando está adaptada à realidade local. Compreender o perfil do produtor, o clima, o calendário agrícola e a cultura de manejo é essencial para entregar eficiência e retorno financeiro.

As diferenças começam pelo clima. Nos Estados Unidos, especialmente nas regiões mais ao norte, o frio intenso e a presença de neve inviabilizam, em muitos casos, o plantio direto amplamente adotado no Brasil. A incorporação dos resíduos vegetais ao solo torna-se necessária para acelerar a decomposição da matéria orgânica e facilitar o degelo na primavera. Caso o manejo não seja realizado antes do inverno, o solo pode permanecer congelado no início do plantio, comprometendo o calendário produtivo.

No Brasil, de clima predominantemente tropical, entre 70% e 90% dos produtores utilizam o plantio direto, aproveitando a palhada para conservar umidade, reduzir erosão e melhorar a estrutura do solo. Outra diferença importante está no número de safras: enquanto nos Estados Unidos, em geral, há apenas uma por ano, no Brasil é comum a realização de duas ou até três safras na mesma área. Isso faz com que o produtor norte-americano precise ser extremamente preciso, pois possui apenas uma janela anual para atingir altas produtividades.

Para empresas brasileiras que acessam o mercado americano, o grande desafio é adaptar equipamentos e soluções às exigências locais. Aspectos como espaçamento entre linhas, robustez, tecnologia embarcada e conforto operacional são determinantes. A qualidade é observada em cada detalhe — do acabamento ao desempenho em campo.

O modelo de produção também influencia essa dinâmica. Nos Estados Unidos, predomina a agricultura familiar com forte participação direta dos proprietários nas operações. Muitas propriedades não contam com funcionários fixos, o que aumenta a demanda por máquinas versáteis, eficientes e de fácil operação. No Brasil, embora a base também seja familiar, é comum a presença de colaboradores nas atividades, e fatores como preço e tradição de marca ainda pesam fortemente na decisão de compra.

Uma tendência clara no mercado norte-americano é o aumento da potência dos tratores e do tamanho dos equipamentos. Se no passado a gradagem operava com cerca de 6 metros de largura a 9 km/h, hoje já se observam implementos de até 13 metros trabalhando a aproximadamente 20 km/h. Esse salto representa ganhos expressivos de produtividade e redução de tempo operacional.

Além disso, produtores norte-americanos contam com maior acesso a subsídios e linhas de crédito competitivas, o que incentiva investimentos constantes em inovação. Eles também valorizam a troca de experiências e reconhecem a expertise brasileira em tecnologia agrícola, abrindo espaço para a indústria nacional ampliar sua presença internacional.

O futuro aponta para a automação. Equipamentos autônomos, capazes de operar com alta precisão e por longos períodos, já começam a se consolidar em grandes propriedades. A escassez de mão de obra qualificada acelera esse movimento e amplia as oportunidades para empresas que investem em tecnologia.

Diante desse cenário, o preparo do solo continua sendo estratégico. Mais do que uma etapa operacional, ele representa um diferencial competitivo. Brasil e Estados Unidos seguem caminhos distintos, mas convergem em um mesmo objetivo: produzir mais, com eficiência, sustentabilidade e inovação.

MÁRCIO BARBOZA É TÉCNICO EM AGRICULTURA, GERENTE DE EXPORTAÇÃO E VENDAS INTERNACIONAIS

Veja Mais

Republicanos terá reunião para definir Juarez Costa

Publicado em 16 de Fevereiro de 2026 ás 08h 23min


Prefeitura de Sinop reforça prazo final para alvará 2026

Publicado em 16 de Fevereiro de 2026 ás 06h 22min


BR-163/Norte acumula mortes e se torna gargalo bilionário do agro brasileiro

Publicado em 16 de Fevereiro de 2026 ás 04h 18min


Jornal Online

Edição nº1737 - 14a16/02/2026