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Aplicação de adubo organomineral exige uma regulagem específica
28 de Fevereiro de 2026 as 08h 46min
Normas do MAPA definem parâmetros do produto – Foto: Divulgação
Com o Brasil movimentando dezenas de milhões de toneladas de fertilizantes por ano, a eficiência da adubação tem se tornado um ponto operacional crítico na fazenda. Em 2024, as entregas ao mercado brasileiro somaram 45,61 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA).
No mesmo ano, as importações desembarcadas em portos brasileiros chegaram a 44,3 milhões de toneladas, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Além disso, o mercado apresenta um aumento constante dos preços dos fertilizantes químicos, cresce a busca por soluções que mantenham a eficiência nutricional sem elevar os custos de produção.
Nesse cenário, os fertilizantes organominerais surgem como uma alternativa mais econômica, aliando melhor aproveitamento dos nutrientes e maior estabilidade no investimento do produtor. Porém, trazem uma exigência prática: não se comportam como adubos minerais convencionais na máquina, o que altera a estratégia de aplicação.
O fertilizante organomineral é classificado, na literatura técnica, como “produto resultante da mistura física ou combinação de fertilizantes minerais e orgânicos”. A composição combina nutrientes minerais com uma fração orgânica que, no solo, tende a interagir com propriedades físicas, químicas e biológicas, com efeitos sobre estrutura e dinâmica de nutrientes ao longo do tempo, temas amplamente discutidos em publicações técnicas sobre matéria orgânica do solo.
A Piccin Equipamentos orienta que o adubo organomineral deve ser tratado como um insumo de comportamento operacional específico, em razão de características físicas que podem alterar o fluxo e a estabilidade de dosagem durante a operação.
Segundo Douglas Fahl Vitor, engenheiro agrônomo e Head de Inovação do Grupo Piccin, “na prática, o organomineral não deve ser visto apenas como uma fonte alternativa de nutrientes, mas como um insumo com comportamento distinto no campo, que exige entendimento específico tanto do solo quanto da forma de aplicação”.
Além da formulação, a própria regulamentação ajuda a explicar por que a logística e a distribuição mudam. A Instrução Normativa nº 61/2020 estabelece requisitos para fertilizantes organominerais e, no caso de produto sólido, define, entre outros pontos, carbono orgânico mínimo de 8%, umidade máxima de 20% e CTC mínima de 80 mmolc/kg.
Esses limites são superiores, em especial no quesito umidade, ao que normalmente se observa em fertilizantes minerais granulares, e tendem a influenciar a fluidez, risco de empedramento e estabilidade do fluxo no sistema de dosagem.
No campo, segundo Fahl, as diferenças físicas aparecem em variáveis como granulometria, densidade e uniformidade de partículas. Organominerais podem ser encontrados em pó, farelado ou granulado e, mesmo quando granulados, podem apresentar maior variação de tamanho e formato por causa da diversidade de matérias-primas. Essa variação interfere no escoamento, na resposta à vibração/agitação e na regularidade de vazão do reservatório ao sistema de distribuição.
De acordo com o especialista da Piccin, a maior umidade e a menor uniformidade elevam a probabilidade de falhas de alimentação do produto, com ocorrência de túnel, ponte e oscilações de descarga.
“O produtor que está acostumado a aplicar adubo químico não pode simplesmente repetir as mesmas regulagens no organomineral, pois isso geralmente resulta em aplicação irregular, falhas e perda de eficiência”, afirma. Outro ponto aqui é o diferencial das soluções da Piccin, por exemplo, que permitem a aplicação de diferentes tipos de materiais como químicos, corretivos e orgânicos.
A consequência direta desse comportamento é a necessidade de regulagens mais sensíveis do que as usadas em adubos minerais tradicionais. Em equipamentos de aplicação a lanço, por exemplo, a resposta do produto a ajustes de abertura e rotação de discos tende a ser diferente quando há maior umidade e variação de partículas. Já nas em linha (localizada), a regularidade de deposição depende da estabilidade do fluxo e do controle da taxa na esteira ou dosador.
Fonte: ASSESSORIA DE IMPRENSA
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