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Com atraso nas operações, plantas de cobertura ajudam a reduzir os riscos
08 de Abril de 2026 as 10h 21min
Forrageiras passam a ser estratégicas no manejo – Foto: Divulgação
Na safra 2025/26, o andamento das operações no campo tem sido marcado por atrasos tanto na colheita da soja quanto na implantação do milho segunda safra em diversas regiões produtoras.
O excesso de chuvas ao longo do mês de fevereiro reduziu as janelas operacionais, dificultando a entrada de máquinas nas áreas e mantendo elevados os teores de umidade dos grãos.
Esse cenário tem provocado um efeito em cascata dentro da propriedade: a colheita da soja avança de forma mais lenta, atrasando a liberação das áreas, enquanto o plantio do milho safrinha passa a ocorrer fora do período mais favorável. Como resultado, reduz-se o intervalo entre as operações e aumenta a exposição das lavouras a condições de menor disponibilidade hídrica ao longo do ciclo.
Quando a semeadura da segunda safra ocorre fora da janela considerada mais segura, que é geralmente entre 20 de janeiro e 20 de fevereiro, a depender da região, cresce a probabilidade de que fases sensíveis das culturas coincidam com veranicos ou redução das chuvas.
“Em muitos casos, atrasos de 10 a 20 dias já são suficientes para provocar quedas de produtividade entre 20% e 40%, podendo superar 50% em anos mais secos”, diz Lara Gabriely Silva Moura, Zootecnista, mestranda em Forragicultura e Pastagens e Coordenadora de P&D da SBS Green Seeds.
Diante desse cenário, as plantas de cobertura deixam de ocupar um papel secundário e passam a ser parte central da estratégia de manejo. Isso especialmente em áreas onde a janela da safrinha já não permite explorar plenamente o potencial de culturas comerciais.
Espécies como braquiárias (especialmente Urochloa ruziziensis e Urochloa brizantha), milheto (Pennisetum glaucum), crotalárias (Crotalaria spectabilis e Crotalaria juncea) e nabo forrageiro (Raphanus sativus) têm se destacado pela capacidade de adaptação e pelos benefícios ao sistema.
Segundo a especialista, dependendo da espécie e das condições de cultivo, a produção de palhada pode variar entre 5 e 12 toneladas de matéria seca por hectare. Essa camada de palha reduz a evaporação direta do solo em cerca de 30% a 50%, além de contribuir para temperaturas mais estáveis na superfície.
“Em períodos de veranico, isso favorece a manutenção da umidade disponível e melhora as condições para o desenvolvimento das culturas seguintes”, reforça.
Outro ponto importante é a ciclagem de nutrientes. Ao longo do ciclo, essas espécies são capazes de absorver e acumular quantidades expressivas de nutrientes, podendo atingir entre 40kg e 120kg de nitrogênio, 10kg a 30kg de fósforo (P2O5) e 50kg a 200kg de potássio (K2O) por hectare.
Com a decomposição da palhada, parte desses nutrientes retorna ao sistema, contribuindo para maior eficiência no uso de fertilizantes e melhor aproveitamento dos recursos do solo.
A velocidade com que esses nutrientes são liberados depende da relação (Carbono/Nitrogênio - C/N) das espécies utilizadas. Gramíneas como braquiárias e milheto apresentam relação mais elevada, entre 30:1 e 60:1, o que favorece maior persistência da cobertura no solo. “Já leguminosas como crotalária apresentam relação mais baixa, entre 15:1 e 25:1, com decomposição mais rápida e liberação antecipada de nitrogênio”, diz a zootecnista.
Com a janela da safrinha mais curta, o sistema de produção deixa de depender exclusivamente da implantação de uma segunda cultura com alto potencial produtivo e passa a valorizar práticas que garantem a construção de solo e a estabilidade ao longo dos ciclos.
As plantas de cobertura contribuem para manter o sistema ativo, protegendo o solo, melhorando suas condições físicas e químicas e reduzindo os efeitos de períodos secos mais frequentes. “Mais do que uma alternativa, elas passam a ser uma ferramenta essencial para sustentar produtividade e eficiência em cenários de maior variabilidade climática”, finaliza Lara.
Fonte: ASSESSORIA DE IMPRENSA
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