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CPI da Saúde ouve procurador e investigada sobre contratos
10 de Julho de 2026 as 13h 33min
Comissão também vai investigar o ataque cibernético – Assessoria
Os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso avançaram nesta semana, com a oitiva do procurador-geral do Estado, Francisco de Assis da Silva Lopes, e da médica e empresária Virgínia Scaff Gonçalves Grassani Silva, investigada por contratos firmados com a Secretaria de Estado de Saúde (SES) durante a pandemia da Covid-19.
Convocada na condição de investigada, Virgínia Scaff compareceu acompanhada de advogado e optou por exercer o direito constitucional ao silêncio durante os questionamentos feitos pela relatoria da comissão.
Já o procurador-geral respondeu às perguntas dos parlamentares e afirmou que a Procuradoria-Geral do Estado atua exclusivamente no controle prévio da legalidade dos processos administrativos, sem atribuição para fiscalizar a execução dos contratos celebrados pela administração pública.
Segundo Francisco de Assis, cabe à PGE emitir pareceres jurídicos antes da formalização das contratações, enquanto a fiscalização da execução contratual é responsabilidade dos órgãos de controle interno e externo. Ao ser questionado sobre pagamentos supostamente realizados sem cobertura contratual, afirmou desconhecer as informações apresentadas pela comissão.
Após os depoimentos, a relatoria informou que irá confrontar os esclarecimentos prestados nas oitivas com a documentação já reunida ao longo da investigação, etapa considerada fundamental para a elaboração do relatório final da CPI.
Outro ponto que deverá receber atenção da comissão é uma suposta tentativa de ataque cibernético aos sistemas da Secretaria de Estado de Saúde. O episódio foi mencionado durante o depoimento do procurador-geral e, segundo a relatoria, aguarda informações da Polícia Federal para dar sequência às apurações.
A investigação envolvendo Virgínia Scaff tem como foco os contratos celebrados entre a empresa V. Scaff Gonçalves & Cia. Ltda., conhecida como Clínica Rostey, e a SES para disponibilização de dez leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto no Hospital Regional de Cáceres durante a pandemia.
Os contratos, que somam mais de R$ 4,2 milhões, são alvo de apuração por suspeitas de irregularidades. Conforme levantamento da CPI, a empresa, registrada como clínica de dermatologia e estética, não possuía experiência comprovada na gestão de UTIs. Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) também apontam indícios de irregularidades na dispensa de licitação.
Ao final da reunião, os parlamentares aprovaram a prorrogação dos trabalhos da CPI da Saúde por mais 180 dias. Também foi autorizada a convocação do médico Luiz Wagner Silveira Golembiowski, que deverá prestar esclarecimentos sobre os fatos investigados pela comissão.
Fonte: DA REPORTAGEM
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