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Quinta Feira, 18 de Junho de 2026

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Delações ligam Juarez Costa a suposto esquema milionário

18 de Junho de 2026 as 04h 53min

Colaborações homologadas no STJ citam favorecimentos - Divulgação

A homologação dos acordos de colaboração premiada de cinco ex-executivos da Aegea trouxe novos elementos para uma investigação que envolve a concessão dos serviços de água e esgoto em Sinop.

Os depoimentos, revelados pelo portal Metrópoles e homologados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), apontam que o ex-prefeito de Sinop e atual deputado federal Juarez Costa (MDB) teria sido beneficiário de pagamentos ilícitos ligados à atuação da concessionária Águas de Sinop.

Segundo os colaboradores, os repasses teriam ocorrido entre os anos de 2014 e 2016, período em que Juarez comandava a Prefeitura de Sinop. As declarações fazem parte de acordos firmados com o Ministério Público e citam supostos pagamentos de propina, caixa dois eleitoral e benefícios concedidos à empresa durante a gestão municipal.

O ex-presidente da Aegea, Hamilton Amadeo, afirmou aos investigadores que autorizou pagamentos destinados a compromissos políticos do então prefeito e relatou que um veículo de luxo teria sido solicitado como parte do acordo.

“O então prefeito Juarez Costa solicitou benefícios que incluíam apoio financeiro e a aquisição de um veículo BMW. Em contrapartida, segundo o relato prestado aos investigadores, medidas administrativas e alterações legislativas teriam favorecido a atuação da concessionária no município”, diz trecho atribuído ao depoimento do ex-presidente da empresa.

Outro colaborador, o ex-diretor financeiro Flávio Crivellari, detalhou a compra do automóvel e afirmou que o veículo foi adquirido por aproximadamente R$ 330 mil na época, valor que atualmente supera R$ 600 mil corrigidos pela inflação. 

As delações também mencionam a existência de um suposto esquema de repasses financeiros destinados ao então prefeito por meio de intermediários. O ex-diretor administrativo Felipe Bueno Marcondes Ferraz afirmou ter participado da operacionalização desses pagamentos. "Os recursos destinados ao então prefeito seriam entregues por meio de emissários, com retiradas de dinheiro em espécie e entregas realizadas em diferentes estados. Parte desses valores teria sido destinada ao financiamento político e eleitoral", relatou.

As acusações ainda citam pagamentos de despesas de campanha por meio de postos de combustíveis e supostas operações financeiras sem lastro comercial. Os relatos foram confirmados por outros ex-dirigentes da companhia que também aderiram aos acordos de colaboração premiada.

O caso remete a investigações antigas envolvendo a gestão municipal de Sinop. Em 2016, Juarez Costa foi alvo de mandados de busca e apreensão durante a Operação Sorrelfa, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso para apurar suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.

OUTRO LADO

Na tarde desta quarta-feira (17), Juarez Costa divulgou nota se defendendo das acusações. “Tomei conhecimento, por meio da imprensa, de informações relacionadas a acordos de colaboração premiada firmados por ex-executivos da Aegea. Até o presente momento, não tive acesso aos autos e aos documentos que embasam tais alegações, o que impede uma manifestação mais aprofundada sobre seu conteúdo. No que diz respeito às citações envolvendo meu nome, recebo essas informações com absoluta tranquilidade, mas também com preocupação diante da divulgação de acusações sustentadas, até aqui, exclusivamente em relatos de colaboradores interessados em benefícios legais, sem que tenham sido apresentadas provas concretas que as corroborem”, expõe o deputado. 

Juarez acrescenta que a experiência recente do país demonstra que depoimentos prestados no âmbito de colaborações premiadas devem ser analisados com cautela e sempre acompanhados de elementos de prova independentes. “O devido processo legal exige que qualquer acusação seja examinada à luz dos fatos e das evidências, e não apenas de narrativas. Também chama atenção o contexto em que essas informações vêm a público. Tratam-se de alegações referentes a fatos supostamente ocorridos há mais de dez anos, constantes de uma delação firmada há seis anos e homologada apenas em 2025. A divulgação seletiva desses relatos neste momento, às vésperas de um novo ciclo eleitoral, naturalmente desperta questionamentos”, rebateu. 

O deputado federal manifestou que é importante esclarecer, ainda, que nenhum prefeito possui competência para alterar leis ou promover mudanças legislativas de forma unilateral. “Toda modificação normativa depende de discussão e aprovação do parlamento, que é independente e age dentro de um processo público, transparente e sujeito ao controle institucional. Da mesma forma, a concessão dos serviços de saneamento ocorreu observando os trâmites legais, com realização de audiências públicas, acompanhamento dos órgãos de controle e aprovação pelo Poder Legislativo Municipal”. 

Ele se colocou à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, “com a serenidade de quem sempre pautou sua vida pública pelo respeito à lei e às instituições”. 

Fonte: DA REPORTAGEM

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