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Fabio Garcia nega violação de ordem do STF ao lado de Mendes
10 de Setembro de 2026 as 06h 43min
Encontro ocorreu durante ato político em Sinop na última semana - Foto: Divulgação
O deputado federal Fábio Garcia (União) negou ter descumprido a determinação do Supremo Tribunal Federal que proíbe seu contato com Mauro Mendes. Os dois apareceram juntos em um evento político realizado na última sexta (4), em Sinop.
A cena chamou atenção porque Garcia e Mendes são investigados no âmbito da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal em agosto. Por determinação do ministro Flávio Dino, os dois estão impedidos de manter comunicação interpessoal.
Durante o lançamento da campanha do deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União Brasil), Garcia e Mendes dividiram o mesmo palanque diante de apoiadores. Em determinado momento, o deputado federal chegou a cumprimentar publicamente o ex-governador. “A decisão diz que a gente não pode ter contato, não diz que a gente tem que ter uma distância de tantos metros um do outro”, afirmou.
Na interpretação apresentada pelo parlamentar, a medida judicial não estabelece uma distância física mínima entre os investigados. A restrição, segundo ele, estaria relacionada especificamente à comunicação entre ambos, e não à presença simultânea em um mesmo ambiente.
Garcia também afirmou que não recebeu qualquer notificação formal das autoridades sobre o encontro. “Bom, não fui chamado para nada. Sobre isso, nós estamos absolutamente tranquilos”, declarou.
A cautelar determinada por Dino, contudo, estabelece a proibição de qualquer comunicação interpessoal entre os investigados, com exceção de contatos de natureza estritamente familiar. A medida busca evitar eventual combinação de versões e interferências na produção de provas.
O episódio ocorreu no contexto da Operação Heritage, que apura suspeitas envolvendo um acordo de R$ 308 milhões relacionado à empresa Oi. A investigação alcançou nomes ligados ao governo de Mato Grosso e levou o STF a impor medidas cautelares aos envolvidos.
Até o momento, Garcia não havia sido formalmente chamado pelas autoridades para prestar esclarecimentos sobre a aparição ao lado de Mendes. Também não havia, naquele momento, informação de eventual decisão judicial específica sobre o cumprimento da cautelar no evento de Sinop.
A defesa política adotada por Garcia, portanto, se apoia na interpretação literal da ordem: estar no mesmo espaço não significaria, necessariamente, estabelecer contato proibido. A questão central passa a ser se houve comunicação entre os investigados e como a Justiça avaliará o cumprimento da medida.
Fonte: CLEMERSON SM
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