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IA avança na advocacia e amplia debate sobre ética, responsabilidade e capacitação
07 de Junho de 2026 as 04h 35min
Alerta para riscos, limites éticos e necessidade de preparo técnico – Foto: Divulgação
A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma tendência distante para se tornar uma realidade cada vez mais presente nos escritórios e tribunais brasileiros. Ferramentas capazes de revisar documentos, organizar informações, acelerar pesquisas e auxiliar na elaboração de textos jurídicos vêm transformando a rotina da advocacia e ampliando a produtividade dos profissionais.
Para a advogada, professora e pesquisadora doutora Cíntia Belini, especialista em Direito Civil e Processo Civil, a tecnologia representa uma oportunidade importante para o setor, mas exige cautela e preparo para evitar erros que podem comprometer processos e clientes.
“Com todos os avanços que estão surgindo, a gente percebe essa digitalização na indústria, na própria sociedade, e não fica diferente dentro da advocacia. Temos tendências, desafios e oportunidades. A inteligência artificial vem realmente para resolver muitos problemas, mas, ao mesmo tempo, precisamos fazer alguns parênteses”, afirma.
Nas últimas semanas, casos envolvendo o uso inadequado dessas ferramentas ganharam repercussão nacional. No Pará, advogadas foram multadas após a Justiça identificar a inserção de comandos ocultos em uma petição. Em Mato Grosso do Sul, um escritório confirmou o uso da mesma técnica em dezenas de processos. Já no Superior Tribunal de Justiça (STJ), uma petição contendo citações inexistentes geradas por inteligência artificial levou à comunicação do caso à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Segundo a especialista, os primeiros problemas observados estavam relacionados à chamada “alucinação” da inteligência artificial, quando a ferramenta cria informações inexistentes, como decisões judiciais e jurisprudências que nunca foram proferidas. Agora, uma nova prática tem despertado preocupação: a chamada injeção de prompts ocultos.
“Hoje estamos tendo algo um pouco mais complexo. O advogado faz uma petição e insere um comando escondido, muitas vezes utilizando texto em branco, imperceptível aos olhos humanos. O objetivo é influenciar a forma como aquela peça será analisada por ferramentas de inteligência artificial”, explica.
Apesar do crescimento do uso dessas tecnologias, o Brasil ainda não possui uma legislação específica sobre inteligência artificial. No entanto, órgãos como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já publicaram normas e recomendações para orientar o uso ético dessas ferramentas.
A expansão da tecnologia também levanta reflexões sobre adaptação profissional. Pesquisa realizada pela OAB São Paulo apontou que mais da metade dos advogados entrevistados já utiliza algum tipo de inteligência artificial em suas atividades.
Para Cíntia, o desafio não está na idade dos profissionais, mas na capacidade de adaptação. “O advogado precisa entender de negócios, de tecnologia e trabalhar junto com o cliente. É isso que a sociedade e o mercado estão exigindo”, afirma.
Segundo a especialista, a preparação para essa nova fase passa por atualização constante, capacitação e criação de protocolos claros para o uso das ferramentas digitais.
“Entender profundamente o direito continua sendo a nossa principal obrigação. Mas também precisamos desenvolver novas habilidades, compreender ferramentas tecnológicas e criar boas práticas de utilização. No fim, a responsabilidade continua sendo humana”, conclui.
Fonte: DA REPORTAGEM
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