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Juros elevados pressionam agro e ameaçam sustentabilidade
27 de Outubro de 2025 as 10h 48min
Riscos da combinação entre taxa Selic alta e crédito rural endividado – Foto: Divulgação
A manutenção da taxa Selic em níveis elevados, adotada pelo Banco Central para controlar a inflação, está gerando efeitos adversos no agronegócio, setor que representa cerca de 30% do PIB brasileiro. Segundo a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), no primeiro trimestre da safra 2025/26, os recursos para custeio recuaram 23% e para investimento caíram 44% frente ao ciclo anterior.
Para Lando Bottosso, especialista em direito agrário e financeiro, a combinação de juros elevados e escassez de crédito cria uma falsa sensação de estabilidade: muitas vezes o produtor opta por renegociar dívidas ou alongar contratos fiduciários, na expectativa de que os preços das commodities melhorem.
Ele destaca que a perpetuação da elevada taxa Selic e dos juros no mercado financeiro, visando combater a inflação, cria uma falsa percepção de melhoria econômica, afetando diretamente o agronegócio. “O produtor rural, na tentativa de manter sua atividade, busca prorrogar dívidas e renegociar contratos financeiros, em sua maioria vinculados à alienação fiduciária, na esperança de uma melhora nos preços das commodities. Contudo, essa estratégia pode levar à insolvência de muitos produtores, pois a alta dos juros compromete a capacidade de pagamento e a normal produção agrícola, gerando um ciclo de endividamento sem garantia de recuperação”, adiciona.
Conforme Bottosso, a retração no crédito rural e o aumento da inadimplência, que em algumas regiões ultrapassa 5%, elevam o risco de colapso de produtores com histórico de financiamento. Bottosso ressalta que a vulnerabilidade do setor exige atenção ainda maior às condições de financiamento, ao tipo de contrato assinado e à estrutura de pagamento. A liquidez apertada e o custo elevado dos empréstimos comprometem não apenas a safra atual, mas também a capacidade de investimento e inovação para as próximas.
O advogado recomenda que pequenos e médios produtores avaliem conjuntamente com consultores ou advogados agrários a viabilidade dos créditos contratados e negociem não apenas prorrogações, mas reestruturações que considerem a real capacidade de pagamento e as perspectivas de mercado. Ele alerta: “evitar a insolvência passa por antecipar riscos, revisar contratos e buscar alternativas como cooperativas ou linhas de financiamento com juros moderados”.
“Em um momento em que o agronegócio enfrenta desafios sem precedentes, a decisão de apenas renegociar dívidas pode não ser suficiente. A saúde financeira de produtores e o desempenho do setor dependem de estratégias ativas, estrutura adequada e condições de crédito compatíveis com a nova realidade dos mercados e dos custos elevados”, conclui.
Fonte: ASSESSORIA DE IMPRENSA
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