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Macacos reabilitados por projeto da UFMT Sinop são transferidos para zoológico paulista
03 de Abril de 2026 as 04h 47min
Macacos vão para zoológico em São Paulo – Foto: Divulgação
Três macacos-aranha-de-cara-branca (Ateles marginatus) sob os cuidados do Centro de Vida Selvagem (CeVS) da UFMT Campus Sinop foram transferidos para o Zoológico de São Paulo e passam a integrar um grupo monitorado em um programa de pesquisa e manejo de fauna ameaçada. Formiga, Cupim e Cigarra chegaram ainda filhotes ao local, após perderem as mães em atropelamentos e incêndio.
Desde então, foram acompanhados pela equipe coordenada pela professora Elaine Dione, tornando-se o centro de um esforço pioneiro de reabilitação da espécie. Típicos da bacia do rio Teles Pires e ameaçados de extinção, esses primatas são impactados pelo desmatamento, fragmentação de florestas e expansão agrícola.
Formiga, fêmea prestes a completar nove anos, foi resgatada em 2017 após a morte da mãe em atropelamento em Sinop. Cupim, macho de quase cinco anos, chegou em 2021 nas mesmas circunstâncias.
Cigarra, com cerca de quatro anos, foi resgatada em 2023 após incêndio florestal em Terra Nova do Norte. Com o tempo, formaram um grupo familiar artificialmente constituído, resultado de anos de testes de manejo e observação.
Formiga protagonizou a fase mais ousada do trabalho, a tentativa de criar um protocolo de reintrodução em vida livre. Após preparação em recintos com enriquecimento ambiental, viveu cerca de três anos solta na mata, com monitoramento e suporte controlado.
Chegou a acompanhar bandos nativos, em experiência considerada promissora, interrompida quando moradores passaram a alimentá-la e reforçaram a associação entre humanos e alimento.
A estratégia mudou para a formação de um grupo em cativeiro controlado, visando futura soltura coletiva. Outra etapa foi encontrar um local seguro que aceitasse o trio.
Após articulação entre SEMA, IBAMA, Centro de Primatas Brasileiros e Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil, o Zoológico de São Paulo se dispôs a recebê-los como núcleo familiar, sob orientação do studbook da espécie.
Antes da viagem, os animais passaram por exames. O transporte será feito em voo da Latam Solidário, com embarque em Cuiabá e apoio logístico terrestre da SEMA. No destino, o trio passará por quarentena, fase de aproximação e integração gradual, em processo que deve durar de quatro a cinco meses.
Fonte: DA REPORTAGEM
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