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Mais de 500 trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão em obra
09 de Agosto de 2025 as 07h 16min
563 trabalhadores escravizados – Foto: Divulgação
Um total de 563 trabalhadores foi resgatado de condições análogas à escravidão em uma obra de usina de etanol em Porto Alegre do Norte. A construção era executada pela TAO Construtora para a empresa 3Tentos. Segundo relatos, o alojamento oferecia água amarelada imprópria para consumo, banheiros sujos, calor excessivo nos quartos, superlotação e colchões velhos. A alimentação, repetitiva e em más condições, chegou a ser servida estragada.
As investigações do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelaram jornadas de até 22 horas diárias, ausência de folgas e pagamento de horas extras “por fora”, sem registro em folha, FGTS ou contribuição previdenciária. Trabalhadores relataram que pagaram a intermediários para conseguir a vaga ou tiveram custos de viagem descontados diretamente dos salários — prática ilegal. Muitos vieram de estados do Norte e Nordeste atraídos por promessas enganosas de altos rendimentos.
O caso ganhou repercussão após um protesto no dia 20 de julho, quando alojamentos foram incendiados. A Polícia Militar foi acionada e houve confronto. Trabalhadores afirmam que os policiais chegaram atirando; a PM, por sua vez, diz que não tinha conhecimento da situação de trabalho degradante e foi chamada por causa de depredação e incêndio no local. Parte do alojamento e o refeitório ficaram destruídos.
Entre as irregularidades apontadas, estavam dormitórios de apenas 12 m² para até quatro pessoas, ventilação precária, falta de espaço para pertences, longas filas para banhos, uso de água turva do Rio Tapirapé após o incêndio e ausência de equipamentos de proteção individual. Também foram registradas lesões e doenças de pele sem emissão das Comunicações de Acidente de Trabalho (CATs), o que impediu acesso a benefícios do INSS.
Após a fiscalização, houve 18 demissões por justa causa, 173 rescisões antecipadas e 42 pedidos de demissão. Cerca de 60 trabalhadores perderam todos os pertences no incêndio. O MPT negocia um Termo de Ajuste de Conduta com a construtora para garantir o pagamento de rescisões e indenizações.
A 3Tentos informou que apura internamente o caso e colabora com as autoridades. Já a TAO Construtora disse que está à disposição para esclarecer os fatos, nega práticas análogas à escravidão e afirma que parte dos trabalhadores manifestou desejo de retornar ao serviço
Fonte: DA REPORTAGEM
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