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Quinta Feira, 23 de Julho de 2026

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Oceano profundo da Antártida muda de ritmo e ameaça equilíbrio do planeta

23 de Julho de 2026 as 17h 26min

Uma pesquisa internacional identificou que a camada mais profunda do Oceano Austral, formada pela chamada Água de Fundo Antártica (AABW), vem diminuindo em volume desde 2002 e apresentou uma aceleração significativa na perda a partir de 2015. O fenômeno foi observado em toda a região ao redor da Antártida.

O levantamento, publicado recentemente pelo Programa Antártico Australiano, indica que a redução desse reservatório de água fria e densa está associada à queda na formação de gelo marinho e ao aumento da entrada de água doce no oceano provocado pelo aquecimento do continente.

A análise foi feita por pesquisadores da Parceria do Programa Antártico Australiano, vinculada à Universidade da Tasmânia, que combinaram dados de satélites, medições realizadas por navios e informações coletadas por boias oceânicas para reconstruir as mudanças ocorridas entre 2002 e 2023. Abaixo da espessa camada de gelo da Antártida, há um continente rochoso com montanhas e cânions.

A Água de Fundo Antártica tem papel central no funcionamento dos oceanos porque, ao se formar, afunda até as maiores profundidades e se espalha pelos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. Esse processo movimenta parte da circulação global conhecida como “esteira transportadora” oceânica.

A massa de água surge principalmente durante o inverno, quando o congelamento do mar ao redor da Antártida deixa o sal concentrado na água restante. Esse aumento de salinidade torna o líquido mais pesado, favorecendo o afundamento até o leito oceânico.

O estudo aponta que esse mecanismo está perdendo força. A entrada de água doce proveniente do derretimento de plataformas de gelo reduz a quantidade de sal na superfície do oceano, tornando a água menos densa e dificultando sua descida para as regiões profundas.

A pesquisa concluiu que a AABW perdeu aproximadamente 3% de seu volume circumpolar acumulado até 2023, considerando como referência a quantidade registrada em 2002. A velocidade da redução após 2015 foi quatro vezes maior que a tendência observada no período anterior.

Os pesquisadores relacionaram esse avanço da perda ao declínio acelerado do gelo marinho antártico registrado desde 2016. Conforme o estudo, as alterações na extensão do gelo e as variações no volume da Água de Fundo Antártica apresentaram forte relação entre si.

O levantamento foi conduzido por meio do SatGEM-2, um modelo que combina informações da altura da superfície do mar obtidas por satélites com dados de temperatura e salinidade coletados em diferentes profundidades. A ferramenta permitiu estimar mudanças em áreas onde há poucas observações diretas.

De acordo com o autor principal do estudo, James Wyatt, pesquisador da Parceria do Programa Antártico Australiano na Universidade da Tasmânia, a reconstrução da evolução da AABW foi possível graças à união de diferentes fontes de monitoramento oceânico.

“Nossa base de dados reúne observações de satélite e o acompanhamento contínuo do interior do oceano feito por navios e flutuadores ao longo do último século. Precisamos manter essas observações para continuar calibrando e garantindo a confiabilidade do SatGEM-2”, afirmou Wyatt, em referência ao sistema utilizado na pesquisa.

Fonte: DA REPORTAGEM

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