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Segunda Feira, 22 de Junho de 2026

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Produção de ruziziensis cai 55% e exige planejamento

22 de Junho de 2026 as 10h 51min

Especialistas recomendam antecipação de compras para garantir insumo qualidade – Foto: Divulgação

Ao longo das últimas duas décadas, a Brachiaria ruziziensis deixou de ser apenas uma forrageira para se tornar uma das principais ferramentas estratégicas da agricultura brasileira.

Sua facilidade de dessecação, rápido desenvolvimento inicial e elevada produção de palhada fizeram da espécie um componente fundamental para o avanço do Sistema Plantio Direto (SPD) e da Integração Lavoura-Pecuária (ILP) em diversas regiões do país.

Mais do que uma cultura de cobertura, a ruziziensis desempenha papel estratégico na sustentabilidade dos sistemas agrícolas. Segundo Thiago Maschietto, CEO & Fundador da SBS Green Seeds, a capacidade da variedade de proteger o solo contra erosão, conservar umidade, favorecer a ciclagem de nutrientes e reduzir a emergência de plantas daninhas gera benefícios que vão muito além da entressafra.

“Em muitas situações, a formação de uma palhada uniforme contribui para diminuir a pressão de infestação de invasoras, proporcionando maior eficiência no manejo e melhor aproveitamento dos recursos investidos na lavoura. Para os produtores que já incorporaram a ruziziensis ao sistema, os ganhos em qualidade de solo, estabilidade produtiva e rentabilidade são inquestionáveis”, afirma Maschietto.

O que chama atenção dos especialistas neste momento não é a demanda que continua forte, mas sim a oferta. Dados do Sistema de Gestão da Fiscalização (SIGEF), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mostram uma redução drástica nos campos inscritos para produção de sementes de Brachiaria ruziziensis.

A área de produção passou de 121.260 hectares na safra 2024/2025 para apenas 54.948 hectares na safra 2025/26, uma retração de 66.312 hectares, equivalente a 54,69%. É a maior queda já registrada para a espécie no período recente.

“Quando observamos o histórico recente, percebemos que o mercado está passando por um movimento de correção necessário. A área de produção da espécie saiu de pouco mais de 51 mil hectares em 2022/2023 para mais de 121 mil hectares em 2024/2025. Esse crescimento acelerado ampliou significativamente a oferta de sementes e criou um cenário de abundância no mercado”, explica o CEO da SBS Green Seeds.

Como ocorre em qualquer cadeia produtiva, o excesso de oferta pressionou os preços e reduziu a atratividade econômica da produção de sementes. O resultado foi uma retração expressiva no número de campos destinados à multiplicação da espécie na safra seguinte.

“Os números mostram que essa retração não foi pontual. Embora a área total de produção das principais forrageiras dos gêneros Brachiaria e Panicum tenha recuado cerca de 26% na safra 2025/2026, a redução observada especificamente na ruziziensis foi significativamente mais intensa. Isso exige atenção redobrada de todos os elos da cadeia”, alerta Maschietto.

A grande questão agora é entender os reflexos desse movimento para as próximas temporadas. Produzir sementes é uma atividade que exige planejamento e antecedência. Segundo o CEO, quando uma redução dessa magnitude ocorre, seus efeitos não aparecem apenas nos números do cadastro de campos, eles tendem a impactar diretamente a disponibilidade física do produto ao longo do ciclo comercial.

“Se a demanda continuar sustentada pelos sistemas de plantio direto e ILP (e todas as evidências indicam que sim), o mercado conviverá com uma oferta mais restrita nos próximos anos. Nesse cenário, é natural esperar maior valorização das sementes e uma disputa mais intensa pelos lotes de melhor qualidade”, projeta ele.

Não se trata de escassez imediata, mas de uma mudança estrutural importante na dinâmica do mercado. Depois de um período marcado pela abundância de oferta, os dados do SIGEF indicam claramente que o mercado entrará em uma fase de maior equilíbrio entre produção e demanda, o que historicamente sempre resultou em valorização do produto e maior seletividade na comercialização.

Fonte: ASSESSORIA DE IMPRENSA

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