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Sorriso celebra 40 anos de história, crescimento e protagonismo no agro
13 de Maio de 2026 as 05h 09min
Sorriso – Foto: Divulgação
A história de Sorriso começou muito antes da emancipação política que completa 40 anos neste dia 13 de maio. Antes de se tornar uma das maiores potências do agronegócio brasileiro, o município era formado por extensas áreas de Cerrado habitadas ancestralmente pelo povo indígena Kayabi e percorridas, ainda na década de 1940, por seringueiros que exploravam a região norte de Mato Grosso.
Foi apenas na década de 1970 que a ocupação organizada do território ganhou força. No fim de 1973, o empresário Benjamin Raiser adquiriu cerca de 149 mil hectares de terras pertencentes ao norte-americano Edmund Augustus Zanini, com o objetivo de implantar uma agropecuária. Pouco tempo depois, em março de 1975, Claudino Frâncio, Demétrio Frâncio e Dorival Brandão também compraram áreas próximas, inicialmente com o mesmo propósito.
Naquele período, o 9º Batalhão de Engenharia de Construção trabalhava na abertura da BR-163, estrada que seria fundamental para o desenvolvimento da região. A grandiosidade das terras e os incentivos federais voltados à colonização do norte mato-grossense fizeram os empresários mudarem os planos. Em vez da agropecuária, decidiram dividir as propriedades em lotes rurais para comercialização. Nascia ali o projeto de colonização que daria origem a Sorriso.
O nome escolhido para a gleba e para a colonizadora foi inspirado no apelido da capital paranaense, Curitiba, conhecida como “cidade sorriso”. Um dos sócios da empresa, Alberto Frâncio, havia morado no Paraná e sugeriu a denominação. Em 1976, foi formalizada oficialmente a Colonizadora Sorriso, liderada por Claudino Frâncio e outros nove sócios.
As terras passaram então a ser comercializadas principalmente na região Sul do Brasil. Agricultores vindos do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina chegaram ao norte de Mato Grosso dispostos a desbravar o Cerrado. As primeiras lavouras foram implantadas com o cultivo do arroz e a primeira colheita ocorreu em 1977.
As dificuldades, porém, eram enormes. A primeira casa construída em Sorriso, erguida em agosto de 1975, tinha apenas 15 metros quadrados. Ao redor dela surgiram estruturas simples de madeira, como restaurante, mercado, açougue e rodoviária. Sem infraestrutura urbana, os moradores dependiam de cidades como Sinop, Vera e Cuiabá para compras e atendimento médico.
A água vinha diretamente do Rio Lira, onde os pioneiros tomavam banho, lavavam roupas e enchiam tambores para abastecer as residências. Somente em 1984 foram perfurados os primeiros poços artesianos.
A energia elétrica também era limitada. Em 1978, a colonizadora adquiriu um grupo gerador que fornecia eletricidade durante apenas oito horas por dia. Em 1985, a antiga CEMAT ampliou o fornecimento para 12 horas diárias por meio de geração termelétrica. A integração ao sistema nacional de energia aconteceu somente em 1993. Mesmo diante das dificuldades, a cidade crescia rapidamente.
O projeto urbanístico de Sorriso foi elaborado pela empresa Planejamento e Assistência Técnica (PLATEC) e aprovado em setembro de 1979. A colonizadora reservou mais de 600 hectares para implantação do núcleo urbano, dividido em mais de 4,5 mil lotes. Como estratégia para incentivar o crescimento, muitos compradores de propriedades rurais recebiam terrenos urbanos como bonificação.
EIXO ESTRATÉGICO
A cidade foi planejada às margens da BR-163, principal eixo de ligação da região. A rodovia, pavimentada entre 1983 e 1986 até Sinop, tornou-se a porta de entrada para centenas de famílias. Os colonos mais capitalizados chegavam até mesmo em pequenas aeronaves, utilizando uma pista aberta inicialmente pelo 9º BEC e ampliada pela colonizadora em 1981.
A educação começou de forma improvisada. Em 1977, a professora pioneira Arlete Maria Cappellari passou a lecionar em sua própria residência para alunos das séries iniciais. Já a primeira escola estadual de Sorriso, a Escola Estadual Mário Spinelli, foi inaugurada em junho de 1982.
A religiosidade também acompanhou o desenvolvimento da comunidade. A primeira missa foi celebrada em 1975 pelo bispo Dom Henrique Froehlich, nas instalações da antiga rodoviária. Em 1983, foi criada oficialmente a Paróquia São Pedro Apóstolo, consolidando a organização religiosa local.
Com o crescimento acelerado impulsionado pela chegada de migrantes sulistas, Sorriso foi elevada à categoria de distrito de Nobres em 26 de dezembro de 1980. Dois anos depois, passou a contar com uma subprefeitura.
AGORA, MUNICÍPIO
A emancipação político-administrativa veio em 13 de maio de 1986, por meio da Lei nº 5.002, sancionada pelo então governador Júlio Campos. O novo município foi criado a partir do desmembramento de áreas pertencentes a Nobres, Sinop e Diamantino.
A instalação oficial aconteceu em 1º de janeiro de 1987, com a posse do primeiro prefeito, Alcino Manfrói, e dos primeiros vereadores eleitos.
Na década de 1990, Sorriso viveu uma transformação econômica decisiva. A expansão da cultura da soja colocou o município entre os principais polos agrícolas do país. O crescimento atraiu uma nova onda migratória, desta vez composta principalmente por trabalhadores nordestinos vindos de áreas de garimpo desativadas no norte de Mato Grosso.
Conhecida atualmente como uma das maiores produtoras de grãos do Brasil, Sorriso chega aos 40 anos consolidada como símbolo do desenvolvimento mato-grossense. Entre lavouras, rodovias, histórias de pioneirismo e diversidade cultural, a cidade segue mantendo viva a essência daqueles que ajudaram a transformar o Cerrado em uma das regiões mais produtivas do país.
Fonte: DA REPORTAGEM
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