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Segunda Feira, 31 de Agosto de 2026

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Terra pode ser muito mais vulnerável a tempestades solares do que se pensava

31 de Agosto de 2026 as 08h 24min

A Terra pode estar muito menos protegida de tempestades solares extremas do que os cientistas acreditavam. Um novo artigo publicado na revista Nature sugere que o que parecia ser um limite natural de proteção da magnetosfera pode ser, na verdade, um erro estatístico nos dados, segundo o Phys.org.

Se a hipótese estiver correta, uma tempestade solar de 1 em 1.000 anos seria muito mais capaz de causar destruição massiva do que os modelos atuais preveem – com consequências diretas para redes elétricas e constelações de satélites.

A interação entre o vento solar e a magnetosfera da Terra funciona como um dínamo gigante. O vento solar, combinado com o campo magnético terrestre, impulsiona plasma e correntes elétricas para a atmosfera superior – criando, entre outros fenômenos, as auroras boreais.

Por décadas, os cientistas observaram uma relação linear clara entre a intensidade do campo elétrico do vento solar e a resposta magnética medida na Terra para tempestades moderadas. Mas, para tempestades mais fortes, essa relação parecia “saturar”: a resposta da Terra parecia atingir um teto abaixo do que seria esperado.

Esse comportamento foi interpretado como uma proteção natural da magnetosfera. O novo estudo questiona essa interpretação.

De acordo com o Dr. Nithin Sivadas e seus coautores no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, a saturação pode ser uma ilusão causada pela forma como medimos a intensidade das tempestades solares.

A maioria das medições do vento solar vem de satélites como WIND, ACE e DSCOVR, todos posicionados no ponto de Lagrange L1 – a 1,5 milhão de km da Terra, na direção do Sol. Essa distância introduz incertezas significativas: o vento solar pode mudar nesse trajeto, o tempo de propagação varia, e frentes de choque criam erros aleatórios que crescem em eventos extremos.

Esses erros criam uma situação estatística conhecida como regressão à média: medições extremas no L1 acabam sendo associadas a respostas geomagnéticas mais moderadas na Terra – porque o vento solar que de fato atinge a magnetosfera tende a ser menos extremo do que o medido a 1,5 milhão de km de distância.

Esse descompasso (entre uma medição extrema no L1 e uma resposta mais moderada na Terra) distorce artificialmente a curva de dados, criando uma aparência de saturação que não é física, mas matemática.

Para provar o ponto, os autores aplicaram uma correção estatística chamada “calibração de regressão” para compensar o viés. Após a correção, a relação linear entre a força da tempestade solar e a resposta magnética da Terra continuou sem nenhum efeito claro de saturação. Em outras palavras: o limite de proteção que achávamos ter pode não existir.

As implicações são diretas. Operadores de redes elétricas e constelações de satélites precisam considerar a possibilidade de um pico elétrico muito maior do que o previsto se uma tempestade solar severa atingir a Terra.

Os autores também apontam que o problema vai além da meteorologia espacial. Qualquer campo científico que dependa de medições incertas – da sismologia a estudos médicos – pode estar sujeito ao mesmo tipo de viés. Modelos de aprendizado de máquina agravam o problema: treinados com dados imprecisos, simplesmente aprendem a ilusão estatística e a tratam como realidade física.

Fonte: DA REPORTAGEM

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