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Trabalhadores, sindicatos e setor empresarial divergem sobre mudanças
08 de Abril de 2026 as 04h 19min
Escala 6x1 segue dando o que falar – Foto: Divulgação
A escala 6 por 1 — modelo de jornada em que o trabalhador atua seis dias e descansa um — voltou ao centro do debate no país com a discussão de propostas que podem alterar a forma como a carga horária é distribuída. Em Mato Grosso, trabalhadores, empresários e representantes sindicais divergem sobre os possíveis impactos das mudanças.
O projeto propõe reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, substituindo o modelo atual de seis dias trabalhados com uma folga por uma escala de cinco dias com duas folgas semanais, sem redução salarial.
Um trabalhador, que vivencia a escala 6X1 e não quis ter a identidade divulgada, defende que o modelo seja reavaliado no Brasil com urgência. Ele afirmou que não consegue descansar de forma adequada em um único dia de folga e que o tempo livre acaba sendo consumido por tarefas pendentes ou pelo cansaço acumulado ao longo da semana.
O trabalhador relatou ainda que chegou a pedir demissão de um emprego anterior, também com escala seis por um, após ser diagnosticado com princípio de burnout. Para ele, a rotina exige planejamento constante e limita até mesmo atividades simples do dia a dia.
“Gostaria que as pessoas que não vivem essa realidade entendessem que nós não estamos na mesma situação. No pouco tempo livre que temos, já há coisas para resolver ou estamos muito cansados. Tudo precisa ser planejado com antecedência”, disse.
Já a analista comercial Marli Nato Ferreira, 34 anos, que trabalha no mesma modalidade de escala, contou que a rotina traz impactos físicos e emocionais. Segundo ela, o ritmo de trabalho diário resulta, em alguns momentos, em alimentação inadequada e, por consequência, afetam a sua saúde.
Marli afirmou que, mesmo no dia de folga, continua cuidando de tarefas domésticas e usando o tempo que seria de descanso para resolver demandas do dia a dia, como fazer compras da semana, ir ao médico e cuidar da própria saúde. Formada em administração, a profissional afirmou ainda que a jornada de trabalho já a impediu de fazer cursos profissionalizantes.
“Essa escala é um pouco exaustiva, né? Acredito que o fim dela seria uma opção boa [...] A sobrecarga de trabalho é prejudicial à saúde física e emocional, provoca desgaste e pouca qualidade de vida”, declarou Mari.
IMPACTO NOS JOVENS
As jovens Eduarda Almeida Alves da Silva, 19 anos, e Gabrielly da Silva Cruz, 20, ambas funcionárias de uma loja de chocolates da capital, relatam que o pouco tempo livre que têm acaba sendo usado para descansar e também para se dedicar a atividades como a faculdade.
“Sinto que estou sempre cansada e acabo ficando estressada com o trabalho. No tempo que me resta, geralmente durmo bastante, faço atividades da faculdade e tento relaxar um pouco”, comentou Eduarda.
OS EMPRESÁRIOS
Por outro lado, a Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Mato Grosso (FACMAT) se posicionou contra a PEC 148/2015, defendendo que a redução da jornada de trabalho, sem medidas compensatórias, pode aumentar custos, afetar empregos e reduzir a competitividade, especialmente em regiões e setores mais vulneráveis. A entidade avalia que o Brasil ainda não tem base econômica e produtiva suficiente para essa mudança.
É evidente que todos desejamos estar mais perto de nossas famílias e ter melhor qualidade de vida. Esse objetivo é legítimo, humano e socialmente relevante. Entretanto, a FACMAT reafirma que a simples redução da jornada de trabalho, sem análise ampla dos impactos econômicos, sociais e regionais que isso pode causar, definitivamente não é a solução, nem o caminho mais adequado, neste momento, para alcançarmos esse objetivo no Brasil", declarou o Presidente da FACMAT, Jonas Alves, em nota.
A FACMAT ainda afirma que, em estados como Mato Grosso, o desenvolvimento econômico depende fortemente da força empreendedora regional, da interiorização das atividades, da integração entre comércio, serviços, construção civil, logística e cadeias produtivas vinculadas ao agronegócio. Segundo eles, essas atividades exigem operação contínua, escalas adaptáveis e capacidade de resposta rápida às oscilações do mercado.
Em contrapartida, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) disse que o tema não encontra resistência por parte da maioria dos empreendedores brasileiros. Segundo levantamento feito pela instituição, 47% dos donos de micro e pequenas empresas, além de microempreendedores individuais, avaliam que a medida não teria impacto sobre seus negócios.
A 9ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae entre novembro e dezembro de 2024), indica que 1/3 (cerca de 32%, dos empreendedores acha que a medida será prejudicial para o próprio negócio. Entre os segmentos que não preveem impactos negativos para as atividades, os destaques são os setores de academias, logística, beleza, agronegócio e economia criativa. Desde 2023, os pequenos negócios, responsáveis por cerca de 80% do saldo de emprego do país.
Já a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt), afirmou que, junto com Conselho Temático de Relações de Trabalho, está em diálogo com lideranças sindicais sobre o assunto. Com apoio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), foi realizada uma pesquisa de sondagem com os sindicatos industriais para subsidiar o debate com dados e percepções do setor, além de um evento com o Observatório de Mato Grosso para apresentação de estudo com a realidade do estado.
A Fiemt aponta que a preocupação em relação à redução da jornada para 40 horas, é a possibilidade de elevar significativamente os custos, reduzir a produtividade e afetar a competitividade das empresas. O estudo estima que, para manter o nível de produção, o custo da folha pode subir R$ 5,1 bilhões com pagamento de horas extras ou R$ 3,4 bilhões com novas contratações. A Federação afirma que, em ambos os cenários, há aumento significativo dos custos para o setor produtivo.
“Segundo o levantamento do IEL, 82,61% dos dirigentes sindicais industriais percebem impacto negativo na produtividade com alteração da jornada. Entre os principais efeitos apontados na pesquisa pelos empresários estão o aumento do custo do produto final (86,96%), o crescimento das despesas com horas extras (80,43%) e a redução da produção (78,26%). Também foram citados os impactos diretos na competitividade e na operação aos fins de semana (58,70%)”, diz a Federação em publicação recente.
Fonte: DA REPORTAGEM
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