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Trigo: mercado mostra estabilidade, mas a volatilidade segue no radar
20 de Fevereiro de 2026 as 08h 03min
Relatório aponta preços distintos entre RS e PR, com influência do câmbio – Foto: BASF
O Itaú BBA, em seu relatório Agro Mensal, destacou que o mercado do trigo iniciou o ano com preços estáveis e movimentos distintos entre os estados produtores. Em janeiro, o Rio Grande do Sul registrou leve alta de 0,5%, com a saca média negociada a R$ 55,20, reflexo da entressafra e do bom ritmo de exportações. Já no Paraná, o movimento foi oposto: queda de 1,4%, com o preço médio encerrando o mês em R$ 63,10/sc, em um mercado considerado “travado”.
A valorização do real frente ao dólar reduziu a paridade de importação, limitando uma reação mais consistente nos preços internos. Além disso, o período coincidiu com a necessidade de liberar armazéns para a safra de verão, o que intensificou o escoamento do cereal. Na primeira semana de fevereiro, o comportamento seguiu desigual: alta de 0,9% no RS e queda de 3% no PR.
No cenário externo, o mercado internacional de trigo manteve-se volátil, influenciado pela oscilação cambial e pelas condições climáticas adversas no Hemisfério Norte. A desvalorização do dólar ampliou a competitividade do trigo dos Estados Unidos, enquanto o frio intenso e a seca em regiões produtoras — especialmente nos EUA e na Rússia — sustentaram os preços no curto prazo.
Na Bolsa de Kansas, o trigo subiu 1,7%, sendo negociado a US$ 5,28/bushel. Entretanto, a volatilidade permaneceu alta nos primeiros dias de fevereiro, com o mercado reagindo a tensões geopolíticas e a possíveis mudanças climáticas. As cotações recuaram momentaneamente após declarações do ex-presidente Donald Trump, sugerindo um possível acordo de paz entre Rússia e Ucrânia.
Com o Brasil em período de entressafra, o mercado tende a se manter alinhado à paridade de importação, o que reforça uma postura cautelosa entre compradores e vendedores. Na Argentina, a safra 2025/26 registrou aumento de produção, mas problemas de qualidade ainda preocupam o setor. Essa situação deve levar o Brasil a diversificar origens de compra, aumentando as importações de trigo hard dos Estados Unidos para reduzir riscos industriais e garantir regularidade no abastecimento.
Fonte: DA REPORTAGEM
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