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UFMT perde R$ 1,4 mi, desvia R$ 13,5 mi de obras e expõe falhas graves de gestão
09 de Fevereiro de 2026 as 06h 49min
Prejuízo no ensino superior federal em Mato Grosso – Foto: Divulgação
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) encerrou 2025 com um prejuízo direto de R$ 1,4 milhão em recursos federais não executados e com o desvio de R$ 13,5 milhões originalmente destinados à conclusão do campus de Várzea Grande para despesas alheias à obra.
As decisões ocorreram sob a gestão da reitora Marluce Aparecida Souza e Silva, contrariando deliberações da Bancada Federal de Mato Grosso e dos três Conselhos Superiores da própria universidade.
Parte dos recursos foi utilizada em execuções tardias, fragmentadas e sem conexão com o objetivo pactuado. O caso mais emblemático envolve um repasse de cerca de R$ 2 milhões à Fundação Uniselva por meio de um projeto concebido, executado e encerrado em apenas 15 dias, sem metas claras, sem detalhamento técnico compatível e sem qualquer vínculo com o campus Várzea Grande.
O episódio enfraquece a principal justificativa apresentada pela Reitoria — a suposta falta de pessoal especializado ao demonstrar que havia capacidade administrativa quando a destinação não envolvia a obra prioritária.
A situação se agrava porque, ainda em agosto de 2025, a Comissão de Acompanhamento de Obras do campus de Várzea Grande (CAOCUVG) alertou formalmente a Reitoria sobre a obrigatoriedade legal de executar integralmente os recursos da emenda de bancada, de destinação vinculada. O ofício indicava, inclusive, a solução administrativa mais rápida e segura: o aditamento do convênio já existente com o Governo do Estado. As recomendações técnicas foram ignoradas.
Meses depois, a própria Coordenação de Planejamento e Orçamento da UFMT confirmou a existência de mais de R$ 11 milhões disponíveis, aguardando apenas definição de direcionamento. Havia recurso, havia tempo, havia orientação técnica e havia respaldo legal. O que não houve foi decisão política para cumprir o que estava pactuado institucionalmente.
A gravidade do caso se amplia no contexto nacional de estrangulamento orçamentário das universidades federais. Reportagem da Folha de S.Paulo mostra que, diante da queda superior a 50% no orçamento discricionário desde 2014, as emendas parlamentares tornaram-se vitais para investimentos estruturantes.
Em 2025, as universidades federais receberam R$ 571 milhões em emendas — quatro vezes mais que em 2014. Nesse cenário, a execução correta, transparente e tempestiva deixou de ser acessória e passou a ser condição de sobrevivência institucional.
Apesar disso, a UFMT executou os recursos de 2025 de forma improvisada, perdeu parte do montante e comprometeu sua credibilidade junto à Bancada Federal. O reflexo foi imediato: enquanto o IFMT assegurou R$ 85 milhões em emendas para 2026, a UFMT não obteve nenhum novo recurso estruturante para o próximo exercício.
Casos semelhantes reforçam um padrão preocupante. No âmbito do Novo PAC, recursos originalmente destinados aos campi Sinop e do Araguaia foram alvo de tentativas de remanejamento para o campus Cuiabá, sem autorização do MEC e sem execução efetiva ao final do exercício. O resultado é a manutenção de obras inacabadas no interior e o risco de devolução de verbas por falta de aplicação.
Soma-se a isso a fragilização da governança interna, com ausência de transparência sobre a submissão dessas mudanças orçamentárias aos Conselhos Superiores competentes. Alterações de grande impacto passaram a ser conduzidas de forma centralizada, esvaziando o debate colegiado e comprometendo a legitimidade das decisões.
O saldo é inequívoco: VG segue sem sede definitiva, Sinop permanece com obras paralisadas, o Araguaia continua sem investimentos estruturantes e a política de multicampia se mantém mais no discurso do que na prática. Mais do que números, o episódio expõe uma gestão marcada por improviso, centralização e desrespeito a decisões pactuadas — com prejuízos institucionais que já se projetam para além de 2025.
OUTRO LADO
O Diário do Estado MT tentou contato com a assessoria de imprensa da UFMT, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
Fonte: DA REPORTAGEM - Pauta Livre MT
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